quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Seu pensamento

Quando você sentir-se só, tão só que os móveis da casa também compartilhem da sua aflição, qual será seu pensamento. Um homem. Uma mulher. Amiga ou irmã. Uma esperança. Filme. Canção. Gostaria eu de lá estar e lá permanecer, para que a solidão sendo duas, não nos faça mal, nem a mim nem a você. É que acontece aquele instante quando mesmo as mulheres fortes, e sendo você uma mulher forte, mesmo você vê-se perdida. Às vezes o momento é de mistério e medo. Fazer parte de qualquer coisa sua quando o instante for de mistério e medo e assim ter um pouco de verdade em minhas preces, menos distância nessa indiferença. Posso ouvir o ranger dos móveis e não importa que seja dia, que seja sol e verão, o silêncio dos móveis preenchem um silêncio de angústia. Façamos desse silêncio um sussurro de que é possível é possível é possível, preciso ouvir no seu tom, é possível é possível é possível. A forma derradeira desse encontro é mesmo uma palavra sem nome, palavra sem forma. Em dias assim, quando você sentir-se só, eu não quero ser seu pensamento. Caso fosse afeito a clichês somente. Uma vez tive essa namorada e a gente saia para bares e lugares e ela era a mulher mais distante que distanciei e eu me culpava a mim pelo distanciar dela como antes você havia se culpado pelo meu. É que cabe a cada um seu próprio alheamento, mas como deve ter doído em você. Como tanto quanto imenso. Quando o vento toca e Amarante canta, não te dizer o que eu quero já é pensar em dizer, é você cantando pra mim mais uma vez no banco da universidade, os dois com vinte anos, sem curso na vida além do outro. A gente devia se perdoar, mas é tanta mágoa tanta mágoa tanta mágoa e a vida vai passando e a gente passa a duvidar do que viveu e a dúvida que seu pensamento nada tem de mim já pode ser vista na superfície desses móveis rangendo nossa ausência.